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ISO 26000 - NORMA SOCIAL

A primeira reunião para discutir a ISO 26000, norma internacional de responsabilidade social, reuniu em março deste ano na cidade de Salvador, mais de 300 representantes de 45 países, egressos da indústria, governos, universidades e sociedade civil organizada.

A norma tem por objetivo principal estabelecer os requisitos mínimos relativos a um sistema da gestão da responsabilidade social, permitindo à organização formular e implementar uma política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e outros, seus compromissos éticos e sua preocupação com a promoção da cidadania, do desenvolvimento sustentável e a transparência das suas atividades.

O desafio de tornar a responsabilidade social um valor mais enraizado na estratégia e nas atitudes empresariais, em vez de só um conjunto de ações de cunho social e filantrópico, foi a tônica das discussões do grupo de trabalho.

Primeiro de uma série, o evento que vai tecer o conteúdo da norma, trouxe à tona aspectos que muitas empresas preferem não encarar, como a indústria do lobby e a responsabilidade social na cadeia produtiva, que envolve clientes, fornecedores e prestadores de serviço. O objetivo é trazer a dimensão ética e o respeito ao consumidor para o centro da gestão sustentável.

Um dos exemplos apresentados aponta para a necessidade do “ lobby responsável,” uma vez que a prática é constante em todos os países do mundo, dado o envolvimento dos negócios com a política.

Mapear a indústria do lobby em todo o mundo, com os setores e países em que esse tipo de ação é mais forte e propor mais transparência é o trabalho de uma organização internacional para uma contabilidade mais ética em conjunto com as Nações Unidas.

O estudo vai resultar em um relatório, previsto para ser lançado em maio deste ano, que terá ampla divulgação e o endosso do Pacto Global ( Global Compact ), lançado pelas Nações Unidas em 1999, quando o secretário-geral Kofi Annan clamou às empresas do mundo todo para uma globalização mais humanitária.

Entre os dez princípios do pacto, está o combate à corrupção. Com mais de 150 empresas signatárias, o Brasil é um dos países que encabeçam a lista.

Transparência nas negociações entre empresas e governos, será estimulada no âmbito da ISO 26000, que deverá prever o engajamento mais estruturado das partes interessadas nas questões de responsabilidade social.

Participou do encontro em Salvador como representante dos consumidores, o Instituto de Defesa do Consumidor - Idec, defendendo a responsabilidade social como norteadora de toda a cadeia de negócios da empresa, do fornecedor ao pró-consumo. “Uma empresa pode até não ser responsável legalmente pelo que sua contratada faz, mas existe o comprometimento moral,” afirma a coordenadora institucional do Idec, Lisa Gunn.

Em agosto próximo, na Tailândia, ocorrerá a próxima reunião que aperfeiçoará as primeiras ações rascunhadas em Salvador. Conforme o presidente do grupo de trabalho responsável pela formulação da ISO, Jorge Cajazeira, obter consenso sobre o que pode ser chamado de responsabilidade social é a maior dificuldade e ressalta: “Chegamos a temer o grau de debate que houve entre as partes interessadas”.

Conclui-se que o tempo necessário para compor a norma é mais do que três anos, devido às divergências.

Fonte: As informações e dados estatísticos relatados foram extraídos da mídia impressa e eletrônica em geral.

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